4.10. Metodologia para mapeamento do desmatamento adotada pelo Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES)
Neste capítulo será introduzido o conceito de desmatamento utilizado pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES) para facilitar o entendimento e considerações relacionadas com o uso deste dado associado aos Impedimentos Sociais, Ambientais e Climáticos. Como comentado na Seção Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES) houve uma evolução na metodologia para mapeamento do desmatamento tanto por conta da evolução tecnológica quanto pelo entendimento dessa classe. Cabe ressaltar que até o ano de 2021 os polígonos de desmatamento mapeados pelo PRODES eram agregados em uma classe única “desmatamento”. Somente a partir de 2022, as classes “desmatamento por corte raso” e “desmatamento por degradação progressiva” foram incluídas nos arquivos vetoriais disponibilizados. A classe “desmatamento por corte raso” agrega todos os polígonos onde a remoção completa da floresta ocorreu em um curto período, entre o ano anterior e o ano corrente. Na imagem do ano corrente, as feições de desmatamento por corte raso podem ser detectadas com solo exposto, com vegetação herbácea, com queimada ou como mineração. Nas imagens dos anos anteriores estas áreas em questão se apresentam cobertas com floresta pouco ou nada degradada. Já a classe “desmatamento por degradação progressiva” agregará os polígonos de desmatamento detectados em áreas de florestas que vêm sendo degradadas nos anos anteriores, seja pelas entradas sucessivas do fogo ou pela retirada seletiva de madeira, e que na imagem do ano corrente chegou ao ponto em que ocorreu a perda completa do dossel e, deste modo, houve o colapso da estrutura florestal [54]. Exemplos de alguns desses tipos de desmatamento podem ser observada nas figuras da Tabela 4.14. No caso do PRODES o sensor OLI do Landsat-8 ou Landsat-9 é utilizado como referência e são criadas composições RGB utilizando as bandas 6(R), 5(G) e 4(B). Elas correspondem respectivamente aos canais infravermelho médio (1,57 – 1,65 µm), infravermelho próximo (0,85 – 0,88 µm) e vermelho (0,64 – 0,67 µm). Posteriormente, as imagens são realçadas para evidenciar as áreas com desmatamento. A composição 6R/5G/4B é utilizada por apresentar melhor contraste entre áreas com vegetação e áreas desmatadas, quando comparada com outras composições (mais informações sobre composição colorida e contraste pode ser obtida na Seção sobre Composição colorida e Contraste).
Tipos de desmatamento mapeados |
Critérios para classificação [composição colorida 6(R), 5(G) 4(B)] |
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A geometria do polígono de desmatamento é regular, sua textura na imagem é homogênea, e fica evidente a remoção completa da cobertura florestal, quando comparado com a floresta no entorno, com presença de solo exposto |
Desmatamento por corte raso sem deixar vegetação remanescente |
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A geometria do polígono de desmatamento é regular, sua textura na imagem é homogênea, e fica evidente a remoção completa da cobertura florestal, quando comparado com a floresta no entorno, entretanto, nota-se o crescimento de vegetação herbácea ou arbustiva no interior do polígono |
Desmatamento por corte raso mas com presença de gramíneas |
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A geometria do polígono de desmatamento é regular, sua textura na imagem é rugosa, heterogênea, e fica evidente a remoção completa da cobertura florestal, quando comparado com a floresta no entorno, entretanto, nota-se o uso de fogo para remoção da biomassa vegetal resultante do desmatamento |
Desmatamento por corte raso seguido do uso de fogo para remoção da vegetação remanescente |
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A geometria do polígono de desmatamento é regular, sua textura na imagem é rugosa, heterogênea, e fica evidente a presença de algumas árvores, resquício da cobertura florestal original, entretanto, a maior parte da vegetação arbórea foi removida, pode haver presença de arbustos ou gramíneas no interior do polígono, mas o predomínio é de solo exposto |
Desmatamento por degradação progressiva pela retirada seletiva de madeira |
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A geometria do polígono de desmatamento é irregular, sua textura na imagem é rugosa, heterogênea, e fica evidente a presença de algumas árvores, resquício da cobertura florestal original, entretanto, a maior parte da vegetação arbórea foi removida pelo uso seguido de fogo, pode haver presença de arbustos ou gramíneas no interior do polígono, observam-se também a presença de anéis de vegetação no interior do mesmo |
Desmatamento por degradação progressiva pelo uso repetido de queimadas |
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A geometria do polígono de desmatamento é irregular, sua textura na imagem é rugosa, heterogênea, com presença de água, pois é localizado em torno de drenagens, |
Desmatamento por corte raso em áreas de mineração |
Caso houver interesse em verificar mais detalhes sobre o projeto PRODES, evolução metodológica, histórico e fontes, recomendamos acessar Seção %s.





