5. Uso e Cobertura da Terra

Informações sobre uso e cobertura da terra são essenciais para apoiar governos na tomada de decisões sobre o impacto das atividades humanas no meio ambiente, no planejamento do uso dos recursos naturais, na conservação da biodiversidade, no monitoramento das mudanças climáticas e na avaliação da segurança alimentar [65]. O uso da terra é resultado das atividades humanas na superfície terrestre, muitas vezes tendo relação com fatores socioeconômicos, históricos e culturais. Está diretamente associado à cobertura da terra, que vem sendo alterada, e, devido a isso, impacta os ambientes naturais muitas vezes negativamente, moldando-os para atender as demadas da sociedade [66].

Apesar de serem muito relacionados, os termos cobertura e uso da terra costumam causar certa confusão. O termo cobertura se refere ao caráter físico e biótico da superfície terrestre, como por exemplo, água, vegetação florestal e solo exposto. Já, o termo uso está relacionado à finalidade ou função para qual a cobertura é utilizada pelo ser humano, como por exemplo, agricultura e pastagem [67, 68]. O sistema do IBGE para o Brasil não separa rigidamente os dois termos. Ele cria uma classificação integrada, onde a categoria final geralmente informa tanto sobre caráter físico e biótico da superfície terrestre (cobertura) quanto sobre sua função ou finalidade (uso). Assim, exemplificando, a cobertura de um certo local da terra pode ser florestal e o seu uso pode ser extração seletiva de madeira. Uma mesma cobertura pode apresentar diversos usos, como no exemplo anterior, a cobertura florestal pode ainda ser utilizada para conservação, para obtenção de alimentos, para o lazer, dentre outros. Apesar de distintos, estes termos tendem a serem conectados ao ser realizado o mapeamento e por conta disso esses mapeamentos são comumente chamados de mapeamento de uso e cobertura da terra (do Inglês, Land Use and Land Cover). Mapas de uso e cobertura da terra são geralmente produzidos a partir de imagens de satélites de observação da Terra [69].

Existem diversos sistemas de classificação para uso e cobertura da terra, que podem variar conforme o objetivo do estudo, bem como com a resolução dos dados utilizados (espacial e temporal), dentre outros fatores [69]. No Brasil, o IBGE desenvolveu um sistema de classificação para uso e cobertura da terra que é utilizado em seus levantamentos sistemáticos. Este sistema é hierárquico e possui cinco níveis de detalhamento, indo do mais geral (nível 1) ao mais detalhado (nível 5) [68]. A União Europeia também possui um sistema de classificação para uso e cobertura da terra, o CORINE Land Cover (CLC) [70, 71], que é amplamente utilizado em estudos ambientais na Europa. O CLC é um sistema hierárquico com três níveis de detalhamento e é baseado em uma legenda com 5 classes principais pré-definidas: Superfícies Artificiais; Áreas Agrícolas; Florestas e Áreas Seminaturais; Zonas Úmidas; e Superfícies de Água [70]. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também desenvolveu um sistema de classificação para uso e cobertura da terra, o Land Cover Classification System (LCCS) [72], que é utilizado internacionalmente. O LCCS é um sistema flexível e adaptável que pode ser aplicado em diferentes contextos e escalas, permitindo a comparação entre diferentes regiões e países. Sua proposta é diferente, em vez de criar uma legenda com classes pré-definidas (como “Floresta” ou “Cidade”), ele oferece um framework ou um “dicionário” de elementos para que o próprio usuário crie sua legenda de forma padronizada. Ele se baseia em critérios diagnósticos. Para classificar uma área, é necessário responder a uma série de perguntas como: É vegetado ou não? É terrestre ou aquático? Se vegetado, é lenhoso ou herbáceo? Qual a altura? É perene ou decíduo? A combinação das respostas gera uma classe única e universalmente compreensível.

Para auxiliar na compreensão dos conceitos de uso e cobertura da terra, serão apresentados alguns exemplos de classes de uso e cobertura da terra, no contexto do crédito rural. Também serão apresentadas algumas classes que possuem implicações ambientais utilizando séries de dados de sensoriamento remoto e análise de imagens. Neste sentido, as classes de agricultura, pastagem e vegetação nativa serão detalhadas nos seguintes tópicos:

No Brasil, temos diferentes iniciativas e projetos gerando mapas de uso e cobertura da terra para os biomas brasileiros, como mostrado na Tabela 5.1.

Tabela 5.1 - Mapas de Uso e Cobertura da Terra.

Projeto/Iniciativa

Descrição

PRODES

Programa de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite. Atualmente também realiza o monitoramento do desflorestamento em todos os biomas brasileiros [54].

DETER

Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo quase Real que monitora o desmatamento e a degradação da vegetação natural nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal para fins de alerta [54].

TerraClass

Projeto desenvolvido pelo INPE e EMBRAPA que identifica as classes de uso e cobertura da terra nas áreas desmatadas e mapeadas pelo PRODES [73].

MapBiomas

Projeto colaborativo para o mapeamento do de uso e cobertura da terra para o Brasil [74].

Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra do Brasil

Levantamento sistemático, contínuo e amplo da cobertura e uso da terra de todo o país [66].

Para analisar os tipos de uso e cobertura da terra assoaciados aos dados do Sicor, os seguintes dados e tecnologia serão utilizados: